Tão grande quanto a palavra é o peso da acusação. Ainda pior que acusar é constatar. É triste ver o descaso de profissionais que são contratados para lidar com a vida humana. Principalmente quando o público são crianças. A gente vê tanta coisa que se pergunta: em quem realmente pode confiar?
Nomes são metonímias. É uma forma de resumir peças ambulantes de experiências, lembranças e sentimentos em uma palavra. Nome próprio, dizem. Próprio de propriedade, carregado de significado, exclusivo de alguém. Repetem-se os títulos, personificam-se os sentidos. Bagagem cultural, espiritual, sentimental: tudo num pedacinho só. O nome pelo todo. O todo no nome. Gosto que ”amável” resuma tudo.
Minha alma se expande, não cabe mais em mim. Tenho vontade de sair de mim mesma. Voar por ai em busca de nada mais do que o nada. Porque nada precisa se explicar. Nada tem valor ou sentido. Nada é simplesmente nada, e a leveza de sê-lo. Não há nada mais livre, mais limpo, mais intenso e leve que o nada. Gostaria de ser o nada, mas não de não ser nada. Afinal, todos geralmente só lembram-se dele quando ele os vem visitar. Simples, branco, inodoro, insensível. Nada, apenas nada. Invisível, sem compromisso. Mas tão comprometido com não ser. Não ser o que o TUDO pressupõe, não ser a utopia que o SEMPRE induz, não ser o paradoxo do CONTUDO, não ser o peso do NUNCA. Nada é simples, mas tão complexo. Como o nada pode ser antitético? 09/11/2008
Acho que essa vontade de fugir, de correr, de sumir, nada mais é que a fuga dos meus sentimentos mais profundos. Os guardei em uma caixa, dentro da gaveta da escrivaninha velha, no porão dos sentimentos. Mas sempre algo os reaviva. Talvez a semelhança das situações. Não tem jeito, não há como fugir. Eles voltam como cavalos galopando desgovernadamente. Pisoteiam a alma, judiam dos sentidos, abusam do bom-senso – simplesmente ignorando-o. É como o dia da grande virada, da revanche. É a vingança por suprimi-los. É o recado: eles estão ali. Guardados, deixados de lado, esquecidos. Mas estão ali, vegetando no coração que os permitiu entrar. 09/11/2008
Não há palavras inéditas quando o assunto é sentimento. Tudo já foi dito e vivido. Há a apropriação de termos, criação de neologismos (convenientes e/ou propositais), mas as sensações se repetem. É um ciclo. Como numa peça de Shakespeare : as falas são as mesmas, porém os atores e as interpretações são únicos. 09/11/2008
Eu ainda não sei o que estou fazendo aqui. Passaram-se quatro anos, tive algumas experiências, aprendi bastante. Mas ainda não sei o que estou fazendo aqui. Cai de pára-quedas. Meio sem querer, meio sem saber por quê. Acho que primeiro foi por gosto, depois por birra. “Sim, eu sei que não tem férias, horário, rotina”. Mas é o que eu disse que queria, só porque eles não queriam. Metade da minha vida tem sido assim: fazer o que eles não querem. Mas nessa, de “provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém”, encontrei a paixão. Por Deus, ainda não entendo como, nem por quê.
Encontrei nas palavras de Marquéz a definição perfeita. Só estando do lado de cá, só estando nessa posição que desafia e alimenta o ego, só estando frente-a-frente com o desafio diário da superação para entender. Já pensei em desistir. Já quis do fundo do coração odiar tudo isso. Mas me corrói a possibilidade de fazer uma boa matéria. Me corrói a vontade de sair no mundo, mostrando a quem não pode a realidade que não é nossa e ao mesmo tempo nos constrói. É uma ânsia, um querer tão grande, um sonho tão próximo.
Agora a vontade é correr. Fugir daqui. Pular a parte chata, ir para o lado bom da história. Queria crescer, aprender, melhorar. Queria perder a vergonha, me amar e acreditar mais em mim e dar a cara à tapa – independente de onde e com que força ele seja dado.
Não há muitas opções. São os últimos meses. Depois, é viver ou viver! Até lá, agüenta a angustia misturada à vontade e à paixão.
“How I wish, how I wish you were here”
Pink Floyd
Poucas foram as vezes em que eu desejei que alguém não fosse embora. Poucas foram as pessoas a quem me apeguei – ou permiti me apegar. Tentei evitar, mas foi maior. Era tanto brilho, tantos sonhos, tantas histórias. Era tudo e um pouco mais. O inverso do que eu pedi. O extra do que eu esperava. As pessoas entram por acaso e marcam. Incrível.
Hoje não sei o que esperar. Aliás, espero que o nosso trato seja cumprido. Espero que o mês voe, que a semana passe, que os dias corram. Mas preferiria não esperar. Tão contraditório, tão você. Tuas certezas me cativaram e hoje, nesse momento (que você me ensinou a desfrutar ao máximo) espero que tudo corra bem. Corra. Apenas isso.
Quando escrevo, cuspo as palavras no papel. Da maneira mais vulgar. Me desapego. Arranco-as de dentro de mim e dou asas. Como uma borboleta que é expulsa do casulo e cai do 12º andar. Não há tempo para reviver. Não há porque reler. Nunca consegui. Reviver gera vínculo, cria laços. Não gosto de laços. Gosto de tudo assim: livre, sem amarras. O entrucado me anima. Inventar é a alma do negócio. Se quem lê entende, ah, esse é outro problema. Não me importa. É um monólogo. Chulo. Recalcado. Desbocado. Sincero.
Apenas uma conversa intima minha comigo mesma. Não preciso de aprovações ou positivos. Preciso desabafar. Vomitar as idéias que borbulham dentro de mim. Se depois não rolar, será tarde demais. Afinal, quando dou por mim, elas já estão aqui, vívidas, implorando por novos olhos, novas interpretações. A mim, resta descansar. O próximo surto? Que venha quando quiser.
Já perdi a conta de quantos sites abri. Foram tantos, um para cada ocasião, para cada reviravolta – dessas que a vida dá sem pedir autorização. Nunca tive “meu querido diário”, mas o infinito espaço cibernético sempre vira o diário de bordo de alguma fase.
Não sei definir qual é a fase do momento. Não sei quanto tempo esse blog vai durar. O fato de ter colocado meu nome no título nada tem a ver com o ego, foi a única forma que encontrei de me forçar a criar um comprometimento!
Foi dada a largada!!