Quando escrevo, cuspo as palavras no papel. Da maneira mais vulgar. Me desapego. Arranco-as de dentro de mim e dou asas. Como uma borboleta que é expulsa do casulo e cai do 12º andar. Não há tempo para reviver. Não há porque reler. Nunca consegui. Reviver gera vínculo, cria laços. Não gosto de laços. Gosto de tudo assim: livre, sem amarras. O entrucado me anima. Inventar é a alma do negócio. Se quem lê entende, ah, esse é outro problema. Não me importa. É um monólogo. Chulo. Recalcado. Desbocado. Sincero.

Apenas uma conversa intima minha comigo mesma. Não preciso de aprovações ou positivos. Preciso desabafar. Vomitar as idéias que borbulham dentro de mim. Se depois não rolar, será tarde demais. Afinal, quando dou por mim, elas já estão aqui, vívidas, implorando por novos olhos, novas interpretações. A mim, resta descansar. O próximo surto? Que venha quando quiser.