Eu ainda não sei o que estou fazendo aqui. Passaram-se quatro anos, tive algumas experiências, aprendi bastante. Mas ainda não sei o que estou fazendo aqui. Cai de pára-quedas. Meio sem querer, meio sem saber por quê. Acho que primeiro foi por gosto, depois por birra. “Sim, eu sei que não tem férias, horário, rotina”. Mas é o que eu disse que queria, só porque eles não queriam. Metade da minha vida tem sido assim: fazer o que eles não querem. Mas nessa, de “provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém”, encontrei a paixão. Por Deus, ainda não entendo como, nem por quê.

Encontrei nas palavras de Marquéz a definição perfeita. Só estando do lado de cá, só estando nessa posição que desafia e alimenta o ego, só estando frente-a-frente com o desafio diário da superação para entender. Já pensei em desistir. Já quis do fundo do coração odiar tudo isso. Mas me corrói a possibilidade de fazer uma boa matéria. Me corrói a vontade de sair no mundo, mostrando a quem não pode a realidade que não é nossa e ao mesmo tempo nos constrói. É uma ânsia, um querer tão grande, um sonho tão próximo.

Agora a vontade é correr. Fugir daqui. Pular a parte chata, ir para o lado bom da história. Queria crescer, aprender, melhorar. Queria perder a vergonha, me amar e acreditar mais em mim e dar a cara à tapa – independente de onde e com que força ele seja dado.

Não há muitas opções. São os últimos meses. Depois, é viver ou viver! Até lá, agüenta a angustia misturada à vontade e à paixão.