Tirando das crises o que de melhor há: inspiração.

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Escrevo porque as palavras são as únicas coisas que me restam.
Liberdade não há, senão a de se expressar.
Pois bem: é nas letras que viajo, meu pensar é meu caminho.
Se sair do lugar não é possível, saio de mim, entro na delas.
Deixo que me guiem.
Curto o que me é permitido, as uso como  melhor me convém.

Inconstante como a vida é a minha necessidade de escrever.
Geralmente é na madrugada que vomito.
Não lapido: gosto do bruto, do mal acabado.
Das víceras se faz o bom autor, das víceras se faz a boa pessoa.
Edições ferem a essência.
Tudo que é realmente bom não é pensado, e sim sentido.

Inevitável pensar a fragilidade da vida.
Na rua tudo se perde, tudo se acha.
Da rua viestes, para a rua voltarás: parece praga, destino.
Lutas, começos, recomeços, fins.
Tanta coisa misturada, bagunçada;
misto de lucidez e total abstração.
No fundo tudo é um grande por quê?

Tanta coisa para ser falada. Mas para quem? Na dúvida, calo.

Tão grande quanto a palavra é o peso da acusação. Ainda pior que acusar é constatar. É triste ver o descaso de profissionais que são contratados para lidar com a vida humana. Principalmente quando o público são crianças. A gente vê tanta coisa que se pergunta: em quem realmente pode confiar?

Nomes são metonímias. É uma forma de resumir peças ambulantes de experiências, lembranças e sentimentos em uma palavra. Nome próprio, dizem. Próprio de propriedade, carregado de significado, exclusivo de alguém. Repetem-se os títulos, personificam-se os sentidos. Bagagem cultural, espiritual, sentimental: tudo num pedacinho só. O nome pelo todo. O todo no nome. Gosto que “amável” resuma tudo.

Minha alma se expande, não cabe mais em mim. Tenho vontade de sair de mim mesma. Voar por ai em busca de nada mais do que o nada. Porque nada precisa se explicar. Nada tem valor ou sentido. Nada é simplesmente nada, e a leveza de sê-lo. Não há nada mais livre, mais limpo, mais intenso e leve que o nada. Gostaria de ser o nada, mas não de não ser nada. Afinal, todos geralmente só lembram-se dele quando ele os vem visitar. Simples, branco, inodoro, insensível. Nada, apenas nada. Invisível, sem compromisso. Mas tão comprometido com não ser. Não ser o que o TUDO pressupõe, não ser a utopia que o SEMPRE induz, não ser o paradoxo do CONTUDO, não ser o peso do NUNCA. Nada é simples, mas tão complexo. Como o nada pode ser antitético?  09/11/2008

Acho que essa vontade de fugir, de correr, de sumir, nada mais é que a fuga dos meus sentimentos mais profundos. Os guardei em uma caixa, dentro da gaveta da escrivaninha velha, no porão dos sentimentos. Mas sempre algo os reaviva. Talvez a semelhança das situações. Não tem jeito, não há como fugir. Eles voltam como cavalos galopando desgovernadamente. Pisoteiam a alma, judiam dos sentidos, abusam do bom-senso – simplesmente ignorando-o. É como o dia da grande virada, da revanche. É a vingança por suprimi-los. É o recado: eles estão ali. Guardados, deixados de lado, esquecidos. Mas estão ali, vegetando no coração que os permitiu entrar. 09/11/2008

Não há palavras inéditas quando o assunto é sentimento. Tudo já foi dito e vivido. Há a apropriação de termos, criação de neologismos (convenientes e/ou propositais), mas as sensações se repetem. É um ciclo. Como numa peça de Shakespeare  : as falas são as mesmas, porém os atores e as interpretações são únicos. 09/11/2008